sábado, 23 de março de 2013

Evite as decepções


Nada pior do que investir em algo e vê-lo dar em nada. Ali, foram as nossas expectativas, o nosso tempo, esforço, dinheiro. E quando isso se aplica à vida espiritual, então, fica tudo pior. Aprendi sobre três tipos de decepções que podemos evitar e consegui três "antídotos" para não ter que arcar com as consequências delas. Estão na história de Caim e Abel.

Após serem retirados do paraíso, Adão e Eva tiveram dois filhos: Caim e Abel. O nome de filhos no Velho testamento tinha um caráter profético. Quando Caim nasceu, Eva disse: “Adquiri e ganhei um homem com o auxílio do Senhor.” (Gênesis 4:1 – Bíblia Amplificada). Isto demonstrava a esperança que ela tinha sobre ele de ser o portador da semente, o primogênito, o “homem da casa.” Abel nasceu depois e já não recebeu nenhuma frase de contentamento ou título que fossem registrados. Os nomes dos dois irmãos são interessantes: Caim significa “posse” (Eva disse “eu tenho um filho varão”) e Abel significa “sopro” ou “filho”. Na expectativa de Eva, um era “o” filho e outro “um” filho.


A lida diária dos dois era interessante: Caim lidava com plantas, que apenas se submetiam aos seus cuidados e davam como resposta seu fruto e Abel lidava com vidas. Caim exercia posse sobre sua vida diária e Abel lidava com o sopro de vida das ovelhas. O trabalho de ambos lhes dava um foco diferente sobre a vida. Enquanto Caim trabalhava e investia para ter frutos e depois, arrancar para si tudo quando lhe fosse útil; Abel cuidava da vida das suas ovelhas diariamente e tinha que mantê-las vivas para viver bem. O olhar de Caim era sobre o resultado;  o de Abel sobre a qualidade de vida. Caim tinha que trabalhar, mas não tinha que se relacionar com as suas plantas. Abel tinha que estar com as ovelhas e observá-las, guardá-las, procurar bons lugares para que se alimentassem e bebessem, tudo era relacionamento. Antes, durante ou depois do seu turno com elas, teria que estar provendo, guardando e atento às suas necessidades. Caim estava atento à sua plantação, mas não tinha relação com ela, não havia troca. O centro era ele mesmo. Com Abel, o centro eram as ovelhas e suas necessidades.


Da mesma forma como Caim se relacionava com seu trabalho, centrado em suas próprias necessidades e convicções, ele quis se relacionar com Deus. Deus era poderoso, devia receber adoração, era útil tê-lo como aliado. Então, Caim foi cumprir a sua obrigação. Mas a coisa não foi bem como ele esperava...

3 E no correr do tempo Caim trouxe ao Senhor uma oferta do fruto do chão. 4 E Abel trouxe dos primogênitos de seu rebanho e das porções gordas. E o Senhor teve respeito e consideração por Abel e sua oferta, 5 mas por Caim e sua oferta Ele não teve nenhum respeito ou consideração. Então, Caim ficou com muitíssima raiva, indignado e pareceu triste e deprimido. (Gênesis 4:3-5 - Bíblia Amplificada)

Caim não estava acostumado a relacionamentos, ele não prestava atenção no que o outro queria, mas no que daria melhor lucro. Estava focado em tirar o melhor proveito com o mínimo de esforço. Do modo como a mãe o via, ele era “o homem”, sobre ele estava o melhor da raça humana. Ele trouxe alguma coisa para Deus e Deus não a aceitou? Isso era impensável! Além do mais, aceitou a oferta do outro, que era apenas “um homem”. Ele se sentiu humilhado. Deus não tinha o direito de fazer aquilo! e começou a fase do "Deus está errado!".

No original, a palavra que define como o rosto dele ficou descreve-o como se fosse distorcido pela raiva. Caim odiou profundamente Deus e o irmão. Mas, contra Deus ele não podia fazer nada. Pessoas como Caim nunca entenderão porque Deus não aceita suas ofertas, já que ele fez o grande ato de ser uma pessoa decente e trabalhadora. Mas seu coração não está voltado para um Deus que esteja acima dele mesmo. Esse tipo de pessoa apenas aceita um Deus que sirva aos seus propósitos. Mas, Deus serve apenas aos propósitos de Deus, que são a melhor oferta para nós."Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte." (Provérbios 14:12). "Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal;" (Provérbios 3:7). 

Abel já tinha o princípio da vida em si desde seu nome. Sopro... Filho... Abel estava acostumado a ter cuidado de outras vidas e perceber necessidades. Também estava acostumado aos seus limites na tarefa de defender as vidas das ovelhas. Sendo apenas “um homem” precisava ter em Deus o seu valor. Abel estava profundamente ligado à vida e aos relacionamentos, principalmente com Deus. Às vezes, uma posição difícil e oprimida nos ensina lições preciosas sobre humildade e uma posição de destaque nos deixa cegos para a aprendizagem. O homem que valoriza demais a si mesmo está à beira do precipício e nem sabe:

18 A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda. 19 Melhor é ser humilde de espírito com os humildes do que repartir o despojo com os soberbos. 20 O que atenta para o ensino acha o bem, e o que confia no SENHOR, esse é feliz. (Provérbios 16:18-20).


O Velho Testamento tem simbolismos que precisamos compreender. O fato mais significativo nas duas ofertas é que uma confessava pecados e pedia misericórdia e a outra dava "alguma coisa" a Deus, que nem era o melhor. O sangue representa a vida (Levítico 17:11). Quando Caim deu a sua oferta, não levou sangue como substituição pela vida que o pecado lhe havia roubado. Enfim, ele não foi a Deus como necessitado dEle ou de perdão. Não foi errado apenas o fato de não ter levado qualquer coisa para Deus, o que já é um desrespeito. Abel, por sua vez, foi a Deus com um coração arrependido, consciente da sua necessidade e suas limitações. Ele pediu vida e graça ao mesmo tempo. E as teve.


A primeira decepção de Caim foi achar que Deus se submeteria a ele e à oferta que  ele escolhesse lhe dar. Enquanto estamos na posição de escolher o que dar ao Senhor, não o estamos adorando e nossa oferta certamente será recusada. O Senhor decide o que é adoração aceitável. Ele é o Senhor. A nossa oferta de adoração deve ter os princípios de ser irrecusável: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus.” (Salmo 51:17). Cuide de sua postura para que não seja recusado. Entre na presença de Deus como quem precisa e não como quem faz um favor a Ele.

A segunda decepção de Caim



Há pessoas que realmente me surpreendem. Não podem ser corrigidas. Querem sempre ensinar, mas não suportam aprender. Podem ter até a oportunidade de dizer o que sabem, mas nós não ensinamos realmente com o que sabemos, ensinamos com o que somos. Digo que, pelos princípios de Deus, nunca crescerão até que se submetam a ser ensináveis. A soberba precede a ruína e não o sucesso. Caim tinha o coração fechado para aprender. Veja o que houve quando Deus quis corrigi-lo sobre a sua postura e ensinar-lhe a verdadeira adoração:

6 E o Senhor disse a Caim: Porque você está com raiva? E porque você parece triste, deprimido e desanimado? 7 Se você fizer o bem, não será aceito? E se você não fizer o bem, o pecado se esgueira à sua porta; seu desejo vem para você, mas você deve se assenhorear dele. (Gênesis 4:6-7 - Bíblia Amplificada)

Traduzindo, Deus disse: Caim você não tem motivo para ficar com raiva. Você não foi aceito porque fez do modo errado. Faça do modo certo que eu vou aceitar a oferta. Não piore as coisas fazendo algo ainda mais inaceitável do que se revoltar contra uma atitude justa. 

Caim não havia sido rejeitado, mas sim a sua forma de fazer a oferta. Um sintoma de quando você está com o problema da soberba é que você acha que qualquer crítica ou instrução é rejeição contra você e não ao que você fez. O problema é a conseqüência de se considerar perseguido: o pecado se oferece para você como “vingança pela injustiça sofrida”. Deus já via o que é que estava entrando no coração de Caim contra Abel. O próximo passo seria irreversível. Ele tinha raiva de Deus e de Abel, mas a raiva estava sendo alimentada no seu coração e oferecendo-se para tomar conta da casa de Caim. Se ele não a dominasse, ela se assenhorearia dele e faria seu mais profundo estrago.

Muitas pessoas passam a vida falhando com Deus e colocando a culpa na vida de outros ou irritada com o seu sucesso, mas isso não funciona dessa forma. A recompensa vem para o justo:
“Então, se dirá: Na verdade, há recompensa para o justo; há um Deus, com efeito, que julga na terra.” (Salmo 58:11). “O perverso recebe um salário ilusório, mas o que semeia justiça terá recompensa verdadeira.” (Provérbios 11:18). “Eis que o SENHOR fez ouvir até às extremidades da terra estas palavras: Dizei à filha de Sião: Eis que vem o teu Salvador; vem com ele a sua recompensa, e diante dele, o seu galardão.” (Isaías 62:11). 

E o juízo vem para os que não reconhecem a Deus: “Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados.” (Lamentações 3:39). Observe que a Bíblia não conta que Caim vivia em pecado, apenas que queria viver e adorar do seu jeito.

O último passo para o abismo

Caim terminou por colocar todo o seu ódio e frustração sobre a vida do seu irmão. Ele o matou com uma pedra, após levá-lo para o campo e trair sua confiança. A raiva injusta foi alimentada e transformou-se em ódio. 

Deus novamente procura levá-lo ao arrependimento e pergunta: “Onde está Abel, teu irmão?” (Gênesis 4:9). Deus é onisciente, Ele não fez essa pergunta porque estava precisando da informação. Ele fez essa pergunta para dar oportunidade a Caim. A primeira parte da pergunta remete Caim ao sopro dado por Deus que animava Abel, o qual pertencia a Deus; a segunda parte da pergunta, fala do relacionamento que Caim tinha com Abel. Sua vítima era da responsabilidade de Deus e e de Caim. Era uma vida preciosa para Deus e devia ser preciosa para Caim. Mas, Caim, pela terceira vez, falha e responde: “Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?” (Gênesis 4:9).

Caim traiu, matou e mentiu para encobrir seus atos. Ele realmente não sabia com quem estava falando. Além de mentir, foi desrespeitoso com Deus. As pessoas que não são corrigíveis nunca se submetem ao princípio de autoridade e sempre pagam o preço por isso. Honra é uma palavra difícil de pronunciar para elas e mais ainda de viver. Ninguém tem valor além delas mesmas. Estão sempre certas e todas as correções merecem como resposta o jargão “Não é bem assim...” Isso pode mudar, mas vai custar muito sofrimento e muita ruína se você não muda rapidamente. E, para quem não escuta, é praticamente impossível mudar.  Sua retórica é: "Mudar como? Porque? Eu estou certo. Até Deus está errando comigo..."

Além de ser desrespeitoso com Deus, ele se eximiu da responsabilidade com seu irmão. Ele não se viu responsável pelo cuidado com ele ou pelo cuidado com a vida que Deus tinha dado ao seu irmão e que ele estava tomando, não só do irmão, mas de DeusToda vida humana vem do sopro de Deus. Deus não soprou em nenhum dos animais. Ele disse: Faça-se os animais... Faça-se a erva... Mas, com o homem, Ele soprou algo de si, seu Espírito:

"Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente." (Gênesis 2:7).
 “O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida.”(Jó 33:4). 

E esse espírito é que lhe dá um raciocínio diferente do que os animais: “Na verdade, há um espírito no homem, e a inspiração do Todo-Poderoso o faz entendido.” (Jó 32:8). 

O sopro de Deus, o espírito, diferencia os homens na criação. O homem foi colocado para cuidar da criação (Gênesis 1:26-27; Romanos 8:22). Entretanto, assim como Caim, muitos estão se eximindo das suas responsabilidades com a vida que Deus dá. Se o homem não cuida do seu semelhante, como então cuidará da criação? Caim não cuidava da sua plantação para Deus e para conservar a vida, cuidava dos seus interesses pessoais. Ele podia trabalhar duro e até honesto, mas quando não conseguiu o que queria, foi capaz de matar o próprio irmão. O ódio o dominava quando era frustrado. E o ódio fez a sua tarefa destruidora. Mas, Caim continuava convicto de que estava certo. Ele deveria receber o que queria; como queria; e quando queria, a todo custo. "Deus está errado!" - conseguia repetir sem parar até que agiu sobre isso.

E quando ele se decidiu pelo mal, o mal veio sobre ele. “11 E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão. 12  Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e vagabundo serás na terra.”  (Gênesis 4:11-12). Seu juízo chegou. A bênção que ele não quis conseguir no caminho que Deus traçara se afastou definitivamente. Se antes ele ainda tinha uma colheita para ofertar, já que ela se tornou tão importante, ela não seria mais sua. A verdade é que aquele que tem o coração vazio ficará de mãos vazias. Como ele não suportava ser corrigido e não se dobrava diante de Deus, só lhe restou fugir pela terra. A sua consciência iria persegui-lo por onde ele andasse. caim perdeu a paz, porque o arrependimento foi recusado. Caim tornou-se o primeiro paranóico da terra: “Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e vagabundo na terra, e será que todo aquele que me achar, me matará.” (Gênesis 4:14).



Deus não nos ama porque somos perfeitos. Não somos. Deus não precisa de aparências de perfeição. Ele deseja um coração que Ele possa moldar e trabalhar para refletir a sua natureza. Esse é um coração ensinável, tenro, que ouve a voz do Espírito e não se endurece. Esse coração que Deus procura parte do princípio de que Ele está sempre certo. Esse é o coração que aceita a correção e preza por tudo aquilo que Deus preza, pela vida dos homens e das criaturas de Deus, pelos quais Ele mesmo nos responsabilizou. 

Caim não tinha humildade. Não tinha respeito por Deus e nem tinha consciência da Bondade de Deus ou da necessidade que ele tinha dessa Bondade. Ele quis ser bom diante Deus sem reconhecê-lo como fonte da bondade. Auto-suficiência é um terrível inimigo da sua vida espiritual.  Ele se achava “o homem” e não “um homem”. Mas, Isaías sabia qual a sua condição diante de Deus sem a cobertura da graça: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.” (Isaías 64:6). Um coração humilde que considera Deus superior e dono da verdade que apenas lhe empresta é o primeiro antídoto para evitar a decepção.

Quando o nosso coração não admite seus erros, nós começamos a fugir de tudo o que possa nos fazer olhar para eles. Deus é o primeiro de quem fugimos. Não há realmente  como chegar na presença de Deus com certeza de que somos dignos por nós mesmos. Chegamos a Deus na certeza de que Ele é bom e misericordioso e apesar de não sermos dignos, Ele nos recebe em sua presença porque Jesus tirou os nossos pecados. Um coração arrependido que entra na presença de Deus reconhecendo suas falhas e disposto a consertá-las é o segundo antídoto para evitar a decepção.

O coração que não se arrepende é presa fácil. O pecado se oferece como instrumento daquilo que já guardamos dentro de nós. Mas, Paulo já ensinava aos Romanos que mesmo sendo tentados: "nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado, como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus, como ressurretos dentre os mortos, e os vossos membros, a Deus, como instrumentos de justiça." (Romanos 6:13). Nós só ficamos inertes diante da morte. Em tudo o mais, uma ação é requerida. Que sejam ações de graça e beleza interior que agradem ao Senhor. Um coração disposto e praticante do que agrada ao Pai é o terceiro antídoto que podemos tomar para evitar a decepção.  Se você está vivo que seja para servir a Deus com humildade e responsabilidade.

A pedra que matou Abel veio do coração de pedra de Caim. Mas, ela não matou apenas Abel, matou Caim também. Ele transformou-se num morto-vivo, errante e assustado com tudo e todos. 

Evite a decepção em seu caminho. Siga os três passos em direção oposta aos de Caim. Cultive a humildade, o arrependimento e o serviço. Você faz o que Deus quer; como Deus quer. Quando errar, admite e pede perdão. E continua procurando agradá-lo desde aquilo que guarda o seu coração até o que faz com as mãos. E as recompensas virão do céu. Eu sei. Eu provo disso a cada manhã. 


Você pode orar assim: 


Senhor, transforma o meu coração e me dá humildade, derrotando a soberba; me dá o arrependimento que for necessário e a coragem para iniciar a mudança; me dá forças para praticar a tua vontade, em nome de Jesus.

  





   










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