Uma fêmea de pinguim pode encontrar o seu filhote pelo piado no meio de milhares. Uma mãe foca da mesma forma, encontra pelo chamado do seu filhote. Um garimpeiro encontra pequenos pedaços de matal e pedras em meio ao cascalho e sujeiras escavadas do rio, que não têm nenhum valor comercial. O que todos têm em comum? A habilidade de encontrar o que é precioso. Se os homens a possuem, muito mais o criador encontrará o que é precioso para Ele. A nós, aqueles pelos quais deu seu único filho.
Num ambiente profundamente massificado como o que nós
vivemos, todos parecemos apenas parte da multidão que segue sua rotina diária,
andando no meio da multidão. Mas Deus não vê a multidão. Ele vê cada pessoa.
Cada vida e seus anseios são preciosos para Ele. Ele nos vê desde o momento em
que somos formados e nos acompanha em cada momento dessa caminhada chamada
vida.
Jesus sempre lidou com multidões, mas sempre diferenciou
pessoas dentro das multidões. Pessoas que o moveram e se moveram para Ele. Ele
cuidou de multidões, proveu pão, ensinou, mas cuidou também e além das
multidões de pessoas pelas quais desviou o seu caminho. Hoje, eu quero lhe
falar de como três pessoas tiraram Jesus do seu caminho.
A primeira foi a mulher que tinha fluxo de sangue há doze
anos. Imagino o nível de anemia, a fraqueza e o abatimento físico em que se
encontrava. No Velho Testamento, a mulher com fluxo de sangue não podia ser
tocada, era considerada impura, então não podia entrar no templo e onde ela se
sentasse seria imundo. O que nos dá uma ideia do que essa mulher teria que
enfrentar a cada dia. Apesar de doente, não poderia ser amparada nos braços de
ninguém. Não podia abraçar seus entes queridos e nem ser abraçada por eles. Já
imaginou ser tratada dessa forma? Que casamento resistiria? Como seus filhos,
se os tivesse, se sentiriam? Como ela viveria a sua vida em casa e fora de casa
com essa identidade? Essa mulher, ao invés de sentir-se igual à multidão, ela
era o horror da multidão.
Se qualquer pessoa
soubesse que ela estava nessa situação e se aproximara de um grupo de pessoas,
ela seria apedrejada. Pois contaminaria de sua impureza ou imundície toda a multidão.
Ela estava individualizada da pior maneira possível, pela exclusão individual,
o que a tornava uma enclausurada em seu próprio corpo. Mas, vamos ao relato da
história como conta a bíblia...
22 Então, um dos líderes da sinagoga,
chamado Jairo, veio e vendo-O, ele se prostrou aos seus pés 23 e suplicou a Ele honestamente, dizendo, minha
filhinha está a ponto de morrer. Vem e estende tuas mãos sobre ela, para que
ela possa ser curada e viva. 24 E Jesus foi com ele e uma grande multidão
continuou seguindo-o e o apertava de todos os lados [quase o sufocando]. 25 E
havia uma mulher que tinha um fluxo de sangue por doze anos, 26 e que há muito
tempo permanecia sofrendo muito [nas mãos dos médicos] e tinha gastando tudo o que
ela tinha e não estava melhor, mas ao contrário, piorava. 27 Ela tinha ouvido
os relatos a respeito de Jesus e ela veio por trás dEle na multidão e tocou
suas vestes, 28 pois ela se mantinha dizendo, se eu apenas tocar nas suas
vestes, eu terei a saúde restaurada. 29
e imediatamente seu fluxo de sangue foi secado na fonte e [rapidamente] ela
sentiu em seu corpo que ela estava curada de seu [angustiante] sofrimento. (Marcos
5: 22-29 – Bíblia Amplificada).
Entre aquela mulher e Jesus não havia um impedimento, mas
uma multidão deles. Não só a sua fraqueza física, não só a falta de recursos
financeiros, não só a decepção com os recursos da medicina, não só a sua
impureza ritual, mas uma multidão que disputava espaço para ficar próximo a
Jesus, a ponto de Ele ficar realmente apertado no meio dela e as consequências
possíveis se alguém a reconhecesse. Ela não queria chamar a atenção e achava
que podia só receber o que precisava e seguir com Deus individualmente, como
sempre sobrevivera.
Quem já passou uma anemia forte e prolongada saberá o quanto
foi difícil fisicamente; quem já precisou de conseguir dinheiro emprestado para
fazer algumas compras para dentro de casa, sabe a dificuldade psicológica; quem
já passou de médico em médico à procura de tratamento e diagnose, sabe o que
ser “desenganado pelos médicos”, quem já se sentiu menor na igreja, sabe o que “impureza”.
E essa mulher vivia tudo isso de uma só vez. Mas aquilo que ela ouviu de Jesus
a sustentou conta a multidão de males, impotências e de pessoas. Ela avançou além
dos seus limites, rompeu proibições e tocou na orla do manto de Jesus (Mateus
9:20; Lucas 8:44). E, a bondade de Deus foi atraída a ela, e ela saiu de entre
os excluídos para a exclusividade da bênção. Ela conseguiu ser atendida na sua
humildade e fé mais rapidamente do que o líder da sinagoga que estava lado a
lado com Jesus.
Assim seremos nós também, se a despeito de quaisquer
limites, buscarmos tocá-lo, com todas as nossas forças, ainda que poucas. Ele
nos abençoará e curará. Porque a fé que ousa e se entrega atrai os olhos de
Jesus. Atrai a sua unção poderosa. Não importa o que ninguém ache sobre nós ou
nossa capacidade, o espaço que nós tenhamos, Jesus receberá o nosso toque e nos
abençoará, mesmo em meio à multidão, seja lá qual for a nossa necessidade.
A preciosa orla do manto
A orla do manto tinha uma franja azul, que representava a
separação do povo hebreu para o Deus Santo.
Fala aos filhos
de Israel e dize-lhes que nos cantos das suas vestes façam borlas pelas suas
gerações; e as borlas em cada canto, presas por um cordão azul. E as borlas
estarão ali para que, vendo-as, vos lembreis de todos os mandamentos do SENHOR
e os cumprais; não seguireis os desejos do vosso coração, nem os dos vossos
olhos, após os quais andais adulterando, para que vos lembreis de todos os meus
mandamentos, e os cumprais, e santos sereis a vosso Deus. Eu sou o SENHOR,
vosso Deus, que vos tirei da terra do Egito, para vos ser por Deus. Eu sou o
SENHOR, vosso Deus. (Números 15:38-41)
Tocar na orla da túnica de Jesus era tocá-lo como Santo
de Deus, o ungido de Deus. Por isso, a santidade de Deus operou nela e a
separou da enfermidade. Se você observar, a cura se deu de forma imediata.
Tanto o sangue estancou, quanto ela sentiu-se restaurada nas seqüelas da
doença. Se somente o sangue parasse, ela não ainda teria que passar bastante
tempo se alimentando bem para ser restaurada. Mas ela se sentiu curada na mesma
hora: “e
imediatamente seu fluxo de sangue foi secado na fonte e [rapidamente] ela
sentiu em seu corpo que ela estava curada de seu [angustiante] sofrimento. (Marcos
5: 29 – Bíblia Amplificada). Seu corpo foi separado para Deus daquela enfermidade.
A santidade de Jesus a tocou e restaurou. A bondade de Deus em Jesus
transmitiu-se para ela, pela sua fé e expulsou a doença e seus efeitos. Ela arriscou
a vida para tocar Aquele que fora enviado por Deus e a recompensa foi vida e
vida em abundância. Porque não ficou somente na cura física, mas passou à
restauração do seu status social também, para que se estabelecesse uma nova
condição de vida.
A restauração total e a multidão
Observe a reação de Jesus ao ser tocado e sentir o que havia
acontecido:
30 e Jesus, reconhecendo nEle que o
poder que dEle procedia tinha fluído, olhou em volta imediatamente para a
multidão e disse:
- Quem me tocou as vestes?
31 E os discípulos disseram-lhe:
- Vês que a multidão lhe aperta
fortemente em volta de ti de todos os lados e pergunta: “Quem me tocou?”
32 Ele se manteve procurando em
volta para ver quem tinha feito aquilo. 33 Mas a mulher, sabendo o que tinha
sido feito por ela, assustada, espantada e temendo, prostrou-se diante dEle e
contou-lhe toda a verdade. E Ele lhe disse:
- Filha, tua fé (tua confiança em
mim, brotando da fé em Deus) restaurou a tua saúde. Vai em (na) paz e seja continuamente
sarada e livre de sua doença [física angustiante] (Marcos 5:30-34 – bíblia amplificada).
Na prática, a ação de Jesus liberou a mulher de, mesmo
curada, ainda ser apedrejada ou rejeitada pela sua condição anterior. Mas algo
é maravilhoso nessa história. A multidão apertava Jesus porque queria contato
físico com Ele, achando que o contato físico iria provocar os seus milagres. Essa
mulher tocou na orla da veste e Jesus parou por ela. Não porque ela o segurasse
com as mãos, mas porque ela o agarrava no seu coração e na sua natureza santa.
Ela estava reconhecendo Jesus como Deus e isso atraiu a sua manifestação e seus
olhos. Os olhos do Senhor não são atraídos por coisas ou pessoas físicas, mas
por corações que busquem a sua natureza santa.
A restauração e a confissão de fé
Firmar-se na santidade de Deus em Cristo destruiu a
doença da mulher do fluxo de sangue. Isso afasta qualquer possibilidade de
interpretação da doença como obra de Deus, afinal foi Ele quem “ [...] ungiu a
Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder, o qual andou por toda parte,
fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele;”
(Atos 10:38). Enquanto a missão do diabo é “[...] somente para roubar, matar e
destruir;” (João 10:10a), Jesus veio “[...] para que tenham vida e a tenham em abundância.” (João
10:10b). Essa mulher não foi arriscar uma cura, ela foi recebê-la. Sua
ação de romper as barreiras foi o início da sua confissão de fé.
Além disso, Jesus viu a doença, não apenas como perda
física, mas como perda de identidade, como fonte de sofrimento físico, mas
também como fonte de angústia e Ele lhe concedeu alívio permanente a partir do
momento em que ela assumiu publicamente a sua fé. Muitas pessoas acham que é só
crer para si mesmo, mas a Palavra diz: “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor
e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da
salvação.” (Romanos 10:9-10). E assim como a mulher reconheceu Jesus e
confessou sua fé nEle, Ele colocou sobre ela a sua autoridade e garantiu-lhe a
proteção no restante do seu caminho e a permanência da sua saúde. Pois, mesmo
curada, correria o risco de ser reconhecida e atacada por estar no meio da
multidão.
Assim, não há multidão que possa impedir de que sua alma seja
vista por Deus. Dentre a multidão, nenhum registro de maravilha foi feito,
somente o daquela mulher que a multidão desprezava e excluía. A mesma cujas
condições deveriam ter impedido de tentar; cujos recursos haviam cessado; cujas
forças já não eram mais como já haviam sido. Nada havia a seu favor, a não ser
a determinação de sua fé de tomar para si aquilo que Jesus tinha: a presença da
perfeição de Deus. E Jesus voltou-se para ela e a levantou sobre toda aquela
multidão que se dizia pura; que tinha recursos; que era forte o suficiente para
apertá-lo e sufocá-lo com seus pedidos, mas que não conseguiu tocar a santidade
e a bondade de Jesus pela fé. Deus encontrará em meio à multidão o coração que o tocar na santidade.
Hoje, eu quero lhe perguntar: Você tem andado no meio da
multidão... Todos estamos. Mas como você se aproximou de Jesus: com o toque de
quem necessita da sua santidade ou com a ansiedade de quem precisa de suas
bênçãos? É sua lista de presentes que tem levado a Ele ou a sua vida para ser
resgatada? É uma questão que só você pode responder. Vá a Deus pelo que Ele é e Ele resolverá a sia vida. Indo a Deus pelo que você quer, você pode voltar de mãos e vida vazia.
Essa é a primeira história de pessoas levantadas no meio
da multidão para os braços de Jesus. Ainda temos mais duas para as postagens
seguintes.
Você pode orar assim:
Senhor,
perdoa-me por todas as vezes que fui a ti e te apertei para obter o que eu
queria, sem entregar a minha vida a ti e nem te reconhecer como doador da vida
e a mim como necessitado(a). Eu quero tocar em tua bondade, Senhor. Restaura a
minha vida. Coloque-a no teu prumo, na tua direção de forma que a tua vida
restaure a minha, separando-a para ti e serei totalmente sarado(a). Quero
deixar de ser multidão e passar a ser a alma que crê e busca a vida em ti, em
nome de Jesus.
Que postagem maravilhosa!
ResponderExcluirQue Deus me perdoe pelas inúmeras vezes que fui até Ele pelo que tinha a me oferecer. Quero ir a Ti pelo o que És.
Me fez refletir muito! Aguardo as outras postagens!