segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A fonte das bênçãos




Há um problema de compreensão bem comum sobre Deus, que é fundamental, mas que é pouco compreendido. Se Deus criou todas as coisas, Ele criou o mal? Se Ele criou o mal, como Ele seria bom? Onde está o bem e como alcançá-lo? São perguntas que uma mente inquisidora levará um tempo para responder e poderá encontrar mais perguntas pelo caminho muito difíceis de responder.

Uma palavra de Isaías nos ajudará. Deus diz: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas.” (Isaías 45:7). Como uma pessoa que é boa pode criar trevas e mal? Observe que no princípio, a terra era sem formas e vazia, não havia luz. A ausência de luz era mais do que ausência de astros que iluminassem a terra para determinar dia e noite (os astros só foram criados no quarto dia). Até o quarto dia só havia manhã e tarde. A noite só aconteceu a partir da criação dos astros. As trevas eram a ausência de vida e da luz da presença de Deus. A luz era boa. Quando a luz chegou, a presença de Deus, foi delimitada a diferença entre luz e trevas, porque antes só havia trevas naquela região. Assim, ao criar a luz da sua presença, Deus delimitou também a presença das trevas.

A sequência da criação diz: “Disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas.” (Gênesis 1:3-4). Como você distingue o doce se nunca comeu nada doce, somente o amargo? Como saberá o que é alegria se só viveu em tristeza? Como saberá o que é estar farto se sempre passou fome? E o inverso é verdadeiro: como saberá o que é ter fome, se sempre esteve farto? Como saberá o que é tristeza se sempre esteve alegre? Como saberá o que é o amargo se sempre teve o doce? Nós aprendemos por comparação e oposição. Ao criar a luz, Deus revelou a noção de trevas; ao criar a paz, o shalom de Deus, que é segurança, bem, alegria, felicidade, amizade, bem-estar, prosperidade, paz, perfeição, saúde, plenitude, no original, o mal foi revelado. O mal surge à luz somente quando o bem é revelado, assim como não se distingue o amargo, a menos que se conheça o doce, senão, ele é apenas, comum. A palavra criar no original também é traduzida para cortar uma madeira selecionada e suprir um determinado processo. Leva essa noção de separação de trazer algo novo por separar de forma definida ou pelo fortalecimento.

A segunda pergunta “Se Ele criou o mal, como Ele seria bom” é resolvida pela primeira resposta. Ele mostrou o mal criando o que é bom e fazendo a diferença. A implicação dessa “desconfiança” da bondade de Deus está pairando sobre a mente de quem não tem isso esclarecido. Alguns evitam perguntar, alguns se revoltam com as respostas que encontram. Mas, a grande diferença é estar na presença de Deus, haver a presença de Deus, que é luz de vida e estar fora da presença de Deus. Esse conceito está embutido nas palavras Bênção e Maldição.

A palavra bênção em hebraico “berâkâh” que também significa prosperidade, deriva da palavra “bârak” que significa ajoelhar-se para bendizer a Deus em adoração e orar. A bênção não é o que Deus dá e sim estar com Ele. A presença e a adoração de Deus são a bênção. Qualquer dádiva ou benefício é consequência de estar nessa vida de adoração. As pessoas que interpretam tudo do visível para o invisível, veem a bênção como a coisa agradável recebida, como se fosse independe do relacionamento que a torna boa. Mas, as pessoas que procuram um cristianismo que começa pelo visível, não poderão terminar bem sua carreira. Veja como Paulo se descrevia em meio às tribulações: “Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação, não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas.” (2 Coríntios 4:17-18). Paulo sabia que o início de tudo estava no imaterial: “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.” (Hebreus 11:3).

Da mesma maneira, as palavras para maldição no hebraico ('ârar, qelâlâh, 'âlâh) contém o significado de algo dito ou feito que torna o amaldiçoado odioso, repudiado da presença de quem o amaldiçoa. Observe como Deus lida com isso: “Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,” (Deuteronômio 30:19).

A bênção é estar na presença de Deus, adorando, orando; a maldição é ser repelido da presença de Deus... Mas como se é repelido da presença de Deus? Escolhendo a morte, escolhendo tornar-se odioso a Deus, escolhendo abandonar o que o agrada, SAINDO DA SUA PRESENÇA. Onde há luz há claridade, onde não há luz há escuridão. O mesmo princípio se aplica à bênção e à maldição. Na presença de Deus, na luz, há paz, prosperidade, satisfação, amor, saúde, que são parte da Vida de Deus, que vem primeiro para o interior do coração do homem e se enraízam ali; fora da presença de Deus, essa é a maldição, há ausência de Deus, ausência de vida, domínio da morte, do roubo e da destruição.

A noção opção vai determinar em que reino vivemos. No reino de Deus há paz alegria e justiça (Romanos 14:17) e vida em abundância e no reino do diabo há morte roubo e destruição (João  10:10). A presença de quem desejamos, aquele a quem nos dobramos em submissão é de onde vai vir o poder de vida ou de morte que dominará a nossa vida.

Escolhendo a vida



Observe novamente o versículo de Deuteronômio 30:19:

“Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência,” (Deuteronômio 30:19).

Há algumas coisas que pudemos aprender dele:

1.    Isto é um juramento de Deus, uma declaração legal. Por isso, Ele toma testemunhas. E ele toma por testemunhas toda a criação, os céus e a terra, logo é uma Lei Universal;
2.    Ele não está fazendo uma imposição nem de vida e nem de morte, mas a proposta de uma escolha: Ou a vida Ou a morte. Logo, não existe uma resposta intermediária: Meia vida ou meia morte, dois quartos de vida e um de morte... Ou você é um adorador do Pai ou está longe de sua presença. Entenda bem, adoração não quer dizer perfeição no fazer, é perfeição na intenção de querer e esforçar-se por fazer o que agrada ao Pai. É amar a sua presença mais do que tudo que o cerca e preenche. Ainda que um adorador caia, ele não suporta o afastar-se do Pai e voltar à presença dEle para redimir-se, em arrependimento. Como disse Davi: “Uma coisa peço ao SENHOR, e a buscarei: que eu possa morar na Casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar no seu templo.” (Salmos 27:4). Davi foi um homem abençoado. Viveu na presença do Senhor, mesmo falhando, o seu coração desejava pela presença do Senhor, mais do que os guardas pelo romper da manhã;
3.    Deus faz uma indicação e essa indicação é a revelação da sua vontade na oferta da proposta: “[...] escolhe pois, a vida, para que vivas, [...]”. Logo, Deus não quer que ninguém morra, mas viva. Entretanto, Ele não nos obriga a viver, apenas nos mostra o caminho da vida e nos dá uma opção de escolha. Estar na bênção, estar com o Senhor em adoração, é estar com Ele em amor. Amor não pode ser uma obrigação, mas um contentamento. Precisa ser uma escolha. Você decide estar perto ou afastar-se de Deus e recebe as devidas consequências de optar por isso.
4.    Se escolhermos a vida de Deus, ela não se restringirá apenas a nós, mas a levaremos para as nossas casas, gerando mais vida, “[...] para que vivas, tu e a tua descendência.” Como Jesus disse: “aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna.” (João 4:14).

A verdadeira bênção é eterna


Não confunda a bênção de Deus com as dádivas de Deus. As dádivas são consequência da bênção. Mas, a verdadeira bênção vem antes e está além das dádivas. A presença do Senhor supriu Daniel de inteligência, de um alto cargo na casa do rei, e, quando nenhum desses bens ou direitos permaneceu, o Senhor ainda esteve com ele e por ele na cova dos leões. As dádivas passam, a bênção é eterna.

Saul recebeu a bênção e não a soube distinguir e nem valorizar. A unção, a presença manifesta do Senhor o tornou rei, mas Ele não valorizou a presença do Senhor acima de todas as coisas. Saul preferiu a presença e o agrado das pessoas e perdeu a presença de Deus e sem a presença de Deus ele fez muitas loucuras, injustiças absurdas e cruéis, atormentou-se e atormentou e terminou morto.

Buscar a presença de Deus é tocar a eternidade. Deus é o lugar da bênção, a sua vontade é o caminho da paz, da alegria e da justiça e das coisas que esse reino pode acrescentar. Por isso, “a bênção do SENHOR enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto.” (Provérbios 10:22). Aquilo que você tiver de Deus será em paz, com alegria e com justiça de Deus. Sem esses requisitos você pode ter mansões em Miami, castelos na Europa e de nada adiantarão. O suprimento de Deus é perfeito e vem com a paz e a segurança do shalom de Deus, traz um tom de eternidade que só Ele derrama.

A maldição é um estado de afastamento


Maldição também não é uma coisa, é o resultado do afastamento da presença de Deus. Onde a luz as trevas não penetram. As trevas do ódio são amaldiçoadoras:

“Aquele que diz estar na luz e odeia a seu irmão, até agora, está nas trevas. Aquele que ama a seu irmão permanece na luz, e nele não há nenhum tropeço. Aquele, porém, que odeia a seu irmão está nas trevas, e anda nas trevas, e não sabe para onde vai, porque as trevas lhe cegaram os olhos.” (1 João 2:9-11)

“Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; aquele que não ama permanece na morte. Todo aquele que odeia a seu irmão é assassino; ora, vós sabeis que todo assassino não tem a vida eterna permanente em si.” (1 João 3:14-15)

Tudo o que nos afasta de Deus produz maldição e, por consequência, morte. Muitas coisas nos afastam de Deus, mas nem todas nós percebemos; e se percebemos, não deixamos; e se não deixamos a morte passa a fazer parte do nosso cotidiano. Entretanto, para algumas pessoas, a morte, a falta de luz é algo tão comum que elas sequer desejam a luz.

Muitos recusaram Jesus por amor às trevas é uma opção válida, mas que tem suas consequências como todas as escolhas na vida:

O julgamento é este: que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz; porque as suas obras eram más. Pois todo aquele que pratica o mal aborrece a luz e não se chega para a luz, a fim de não serem argüidas as suas obras. Quem pratica a verdade aproxima-se da luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus. (João 3:19-21).

Há pessoas que querem seguir o caminho da escuridão, da maldição, Deus não vai impedi-las. Mas Ele não as recusará se decidirem voltar e viver com Ele e para Ele. Deus não nos obriga a fazer a escolha, apenas mostra o melhor caminho. Observe a parábola do filho Pródigo (Lucas 15: 11-32). O pai representa Deus. O filho pediu o dinheiro da herança para sair de casa, o pai não negou. O filho gastou tudo que tinha com coisas que não agradavam ao pai, o pai não impediu. O pai sabia que o filho podia estar em dificuldades, mas não foi buscá-lo. Mas, quando o filho voltou para casa, reconhecendo a bondade e a justiça de seu pai, o pai estava lá esperando por ele, correu para abraçá-lo trouxe-o de volta como um filho ressuscitado e lhe deu uma festa de boas-vindas.



Da mesma maneira que o pai da parábola, Deus está chamando você, lhe esperando, ansiando para que esteja com Ele em casa, mas não vai forçá-lo a estar com Ele. Enquanto você quiser permanecer no seu caminho diferente da vontade do Pai, você vai estar. Mas, se você reconhecer que tudo fica melhor do jeito de Deus, que estar na casa do Pai é a melhor coisa que existe, que você não administra bem a sua própria vida, então, o Pai está de braços estendidos para lhe restaurar e lhe tratar como filho ou filha. Para abraçá-lo e  restaurá-lo na sua paz, alegria e justiça.

Jesus disse aos discípulos: Segue-me. Disse que o jugo dEle era suave e seu fardo leve (Mateus 11:28-29). Ele não disse: sobe na garupa e eu farei todo o esforço. Faça o que você quiser que eu vou dar um jeito na bagunça depois. Há um caminho a seguir. Tome o caminho certo porque tanto o caminho certo, quanto o errado trarão suas consequências. Não há como ir para frente sem deixar nada para trás. O segredo é escolher o caminho em que deixamos o pior para trás e encontramos o melhor à frente.

Vós que amais o SENHOR, detestai o mal; ele guarda a alma dos seus santos, livra-os da mão dos ímpios. A luz difunde-se para o justo, e a alegria, para os retos de coração. Alegrai-vos no SENHOR, ó justos, e dai louvores ao seu santo nome. (Salmos 97:10-12)

¶ Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme ao SENHOR e se compraz nos seus mandamentos. A sua descendência será poderosa na terra; será abençoada a geração dos justos. Na sua casa há prosperidade e riqueza, e a sua justiça permanece para sempre. Ao justo, nasce luz nas trevas; ele é benigno, misericordioso e justo. (Salmos 112:1-4)

Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. (Provérbios 4:18)
Deus te abençoe ricamente, que a presença dEle encha a sua vida em plenitude. Eu espero que você escolha isso. Agora, é uma questão de atitude e não apenas de oração, rituais e ouvir a palavra. Agora é ação e luz!













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