sexta-feira, 7 de junho de 2013

A bênção da amizade



Poucas vezes nos preocupamos de voltar ao sentido original da palavra amigo. Mas é uma bela e preciosa palavra. Significa alguém que “ama, que demonstra afeto, amizade; em que há amizade, benevolência; cuja expectativa é favorável; benigno, propício; que ou aquele que é ligado a outro(s) por laços de amizade; que nutre admiração (por alguém ou algo); apreciador, amante; ampara, defende” (HOUAISS, 2009).

Tomé demonstrava amor por Jesus. Decidiu até arriscar-se indo até Jerusalém para acompanhá-lo, mesmo sabendo que poderia ser sua sentença de morte (João 11:16). João tinha uma proximidade com Jesus de chegar a reclinar a cabeça em seu peito para perguntar-lhe algo (João 13:25). Pedro jurou-lhe fidelidade até à morte (Mateus 26:35). Enfim, cada apóstolo tinha um relacionamento especial com Jesus de amizade, carinho e respeito, mas não de perfeição. E Jesus aceitava e lidava com isso.

Se você puder observar atentamente na vida de Jesus, ele teve pelo menos 11 amigos próximos e um inimigo, que convivia diariamente com ele. Você pode questionar essa amizade lembrando que os apóstolos abandonaram Jesus em meio a sua maior dificuldade. Mas eu não falei que eram onze amigos perfeitos. Apenas que eram onze amigos. Entretanto, o seu único inimigo causou a sua maior dificuldade. Isso sim foi devastador e, ao mesmo tempo, Deus o transformou em sua maior glória.

Judas era problemático desde o início. Ele se relacionava com Jesus por interesse próprio. Judas era tesoureiro do ministério de Jesus  e roubava as ofertas. Jesus era a sua fonte de lucro:

Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse: Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres? Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava. (João 12:4-6)

Judas não era honesto e nem respeitava o ministério de Jesus. Apenas o via como uma oportunidade de lucro. A importância fundamental da distinção entre si e da influência que podem e devem ter os amigos e os inimigos é o que vamos procurar compreender mais, hoje.





A estratégia da proximidade de Judas



Deus permitiu que alguém com o coração corrompido pela avareza fizesse companhia a seu Filho por todo o ministério terreno dele. Isso é estranho. Tenho certeza que nenhum pai gostaria que seu filho andasse com um Judas. Todos os que eu conheço cuidam de afastar os Judas dos caminhos de seus filhos. Entretanto, Deus permitiu a presença de Judas como parte do seu plano de redenção. Jesus já sabia quem ele era desde o princípio, observe: “mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar.” (João 6:64).  

Neste texto acima, você pode ver que o problema de Judas era que, apesar de estar com Jesus, no meio daqueles que o seguiam, aparentemente servindo no ministério, Judas não cria em Jesus como o Messias ou como o Filho de Deus. Por outro lado, Deus dava a cada dia, a cada milagre, a cada Palavra de Jesus, a oportunidade de ele mudar de posição. Mas, ele se manteve firme na incredulidade, até que a elevou ao seu grau máximo, entregando Jesus para a morte. O propósito de Judas não ia além de conseguir o que desejava. O deus de Judas era Mamom, as riquezas, por isso, ele odiou Jesus a ponto de entregá-lo para ser morto: “E, se no alheio não fostes fiéis, quem vos dará o que é vosso? Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Lucas 16:12-13). Desonestidade e avareza não são características de um bom amigo, mas de um traidor, que vai vendê-lo por qualquer vantagem. Judas vendeu Jesus pelo preço de um escravo comum. Nem nisso ele reconheceu o Filho de Deus.

O lucro que Judas não teve


Muitas pessoas aproximam-se dos abençoados e abençoadas para partilhar das bênçãos, mas não do Abençoador. É preciso cuidado com estes. Observe onde está o foco de Judas. Jesus estava com seus discípulos na casa de Lázaro, comemorando a ressurreição dos mortos. Jesus já havia ensinado que Ele era a ressurreição e a vida. Judas estava presente quando um defunto de quatro dias saiu da cova restaurado. Mas isso não mudou a presunção de Judas que ele podia ter lucro pessoal com as  bênçãos de Deus:

2  Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele. 3 Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento. 4  Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse:
5  “Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?” 6  Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava. 7  Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto; 8  Porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes. (João 12:2-8).

Jesus via o amor, a fé e a dedicação de Maria, Marta e Lázaro; Maria, Lázaro e Marta viam e adoravam a Ressurreição e a Vida, Jesus; e Judas via o dinheiro que podia lucrar desonestamente com a situação. Pessoas que só adoram de aparência, só focam os próprios proveitos e não possuem escrúpulos para conseguirem o que querem são perigosos para se ter por perto. Jesus veio com o propósito de morrer na cruz, por isso o manteve lá até que liberou Judas para dar o último passo:

Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão. E, após o bocado, entrou nele Satanás. Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa. (João 13:26-27)

O passo final


Após cultivar a inimizade contra Jesus em sua falsa fé e falso serviço, na realidade, a serviço da sua própria avareza, Judas foi totalmente dominado por aquele de quem ele era realmente amigo. A Palavra diz: “adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4). Jesus disse: “Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.” (Mateus 6:21).

E sendo amigo do Adversário, Judas deu o último passo para a sua própria destruição e Jesus, ainda que sofreu, foi glorificado, a despeito daquela atitude e ação. Jesus anunciou a traição e deu o bocado molhado a Judas. Satanás o dominou completamente, então, ele saiu e vendeu o Rei dos Reis pelo preço de um escravo comum, 30 moedas de ouro. Era o que Jesus significava para Ele, alguém de quem podia se aproveitar e explorar e que perdia agora a serventia, pois Jesus dissera que ia ser crucificado e morto. Ele decidiu tirar seu derradeiro lucro. E realmente foi seu último. Judas é o padrão da corrupção, porque traiu a melhor e mais perfeita pessoa que já existiu.

O que Judas viveu com Jesus de nada serviu


Judas havia expulsado demônios e curou enfermos enviado por Jesus (Mateus 10:1); pregou enviado por Jesus (Marcos 3:14); recebeu instruções particulares de Jesus (Marcos 4:10); Foi trabalhar em duplas enviado por Jesus (Marcos 6:7); distribuiu os pães enquanto eram multiplicados (Marcos 6:41-43)... Ele estava lá e foi instrumento de tudo isso e, nem por isso, recebeu o que poderia realmente lhe dar vida. Judas não cria em Jesus como Salvador, como o Rei enviado do céu, do qual necessitava para lhe perdoar os pecados.

Ele não se via como necessitado de perdão ou redenção. Ele certamente se achava mais inteligente do que o próprio Jesus, pois o enganava todo dia, tirando o que se colocava na bolsa de ofertas. Quando ele queixou-se do ungüento derramado aos pés de Jesus, havia um motivo vil para isso: “Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.” (João 12:6). Não importa o quanto tempo uma pessoa esteja frequentando uma igreja e nem os cargos que tem, importa a comunhão e o amor que tem pelo Filho de Deus e sua integridade. Sem isso, nada importa e o fim é destruição.

Um amigo como Judas estará sempre diminuindo o que você entrega ao Senhor em benefício de si mesmo. Menos tempo, menos esforço e menos prazer nas coisas de Deus do que naquilo que você dedica a ele. Se alguém procura lhe desestimular daquilo que você faz, é ou entrega para Deus, cuidado, este não é uma companhia adequada.

A diferença entre Judas e os demais apóstolos

Sabemos que Judas traiu Jesus e sabemos qual foi seu destino: ele enforcou-se. Temos o relato do reencontro de Pedro e todos os outros apóstolos com Jesus. Jesus consolou a Pedro e o comissionou; repreendeu Tomé e o comissionou; mesmo sabendo que João tinha fugido, deu-lhe o cuidado de Maria, já na cruz, para que não sofresse privações, pois era o que seguiria a uma viúva sem seu primogênito.... e assim foi. Jesus cuidou, consolou e instruiu a todos os outros apóstolos, mas Judas não pôde ser salvo. Por quê? Porque Judas nunca conheceu de fato Jesus. Viveu todos os dias de seu ministério com ele e não o reconheceu como Filho de Deus, o Rei Salvador. Jesus distinguiu Judas dos demais assim:

68  Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. 69  E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente. 70  Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo. 71  E isto dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão; porque este o havia de entregar, sendo um dos doze. (João 6:68-70).

Acompanhar e fazer algo para alguém e/ou com alguém não significa que conheçamos ou reconheçamos quem ele é. Judas é a prova desse ponto de vista. As pessoas que realmente conheceram e reconheceram Jesus tiveram suas vidas transformadas para tornarem-se semelhantes a Ele. É a transformação na semelhança de Cristo que mostra a glória de Deus em nós: “Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.” (2 Coríntios 3:18). Os nossos verdadeiros amigos seguirão conosco nos assemelhando a Cristo, pois apesar de todos os nossos defeitos estaremos no rumo certo, no caminho que é Jesus.

A certeza do único caminho


Há uma convicção interior que diferencia aqueles que realmente conheceram e reconheceram a Jesus como Salvador por toda a história do cristianismo. Elas sabem que não há outro para onde ir, não há outro maior do que o Rei, não há ninguém com direito maior do que o Filho de Deus de ser servido como o rei Salvador. E só a Ele se apegam: “porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (1 Timóteo 2:5).  

Há uma diferença fundamental entre os que desertam em um momento de medo ou fraqueza, quando as pessoas se voltam contra a obra e o Filho de Deus. Pedro desertou e estava profundamente triste em ter deixado Jesus, o seu amigo. Jesus o confortou. Judas voltou-se contra Jesus e promoveu a sua destruição, agiu deliberadamente contra Jesus. Então, a consolação de Jesus não poderia nunca alcançá-lo. O amor de Deus só abraça com os braços da fé. Judas acreditava na desonestidade, no poder e no dinheiro. Jesus não pôde fazer nada por ele. Judas se enforcou muito antes de chegar àquela árvore. Ele se enforcou na sua ganância e egoísmo.

Observando a qualidade da nossa amizade


Precisamos aprender a observar a intenção real das pessoas. Se elas estão focadas nas bênçãos ou no abençoador. Mais do que isso, precisamos observar a nós mesmos se nos mantemos focados no abençoador ou na bênção. Quem não for amigo de Deus não será bom amigo de ninguém. Um ministro não precisa de um púlpito para pregar a palavra, se ele não fala vivendo a palavra com sua família e seus vizinhos, na rua, na escola, em todo lugar, a palavra que disser no púlpito tem pouco valor. É facilmente desmascarado.

Um ministro de adoração é mais do que um cantor ou músico. Os ministros de música podem ser tentados pela vaidade e pelos aplausos, por causa dos seus dons, mas seus dons não são o centro do seu ministério e sim o Senhor, que é o único digno de ser adorado. Quando Davi instituiu cantores para o templo, eles tocavam em turnos de 24 horas. Imagine tocar para o Senhor às três ou quatro da manhã... O público devia ser as corujas e grilos aplaudindo, mas a presença do Senhor cobria aqueles momentos (1 Crônicas 9:1,32-34).

Um ministro de louvor ou qualquer ministro que não pode ministrar em silêncio no seu coração não deve abrir a boca no altar de Deus. As luzes e as vozes no templo só devem dar glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Alguém que realmente seja ministro de louvor ou outro ministro não conseguirá nunca afastar-se da sua função sem perder parte essencial da sua vida, pois um adorador necessita do trono como o corpo necessita de água e de comida. Muito menos desprezará o serviço ou os que servem no altar. Esses são sintomas de Judas e o levaram à destruição.

Quando alguém acha que o ministério que tem é pouco, não é digno do Deus que serve. Deus enviou Noé trabalhar 120 anos para salvar oito pessoas; e Moisés foi preparado durante 80 anos para tirar três milhões do Egito, dois ministérios e o mesmo Deus, o mesmo valor. Sem o ministério de Noé não haveria o de Moisés. Um foi a semente do outro. Deus olha para a o tamanho da nossa fidelidade e não para o tamanho físico e aparente do que fazemos. 

Abraão amigo de Deus


Abraão ofereceu um cordeiro a Deus em obediência e foi abençoado e Saul ofereceu dezenas e foi recusado pela desobediência. Abraão foi chamado de Amigo de Deus. A obediência identifica o amigo. Deus olha o coração de servo, de filho amoroso e amado. Olha a amizade e o amor por Ele e não a quantidade visível. Enquanto o Senhor lhe disser para servir em um lugar é lá que está a presença dEle, afastar-se dessa presença é atrair a morte como foi para Judas. Se você decidir cuidar em primeiro lugar dos seus interesses, Deus sai do primeiro lugar da sua vida. E as conseqüências são graves e desastrosas. As pessoas que se fixam nos seus próprios interesses constantemente, não serão bons amigos.

O Senhor honra a sua obediência a Ele. Ainda que uma liderança  não queira mais seu ministério num lugar e lhe expulsar dele, a terra vai acabar antes de você ficar sem ter onde servir. A verdadeira igreja cresce quando é perseguida, multiplica-se sob pressão, não murcha e nem seca. Quem reconhece Jesus, reconhece que só há vida nEle. Quem não é amigo de Deus, não será amigo de um simples mortal como nós.

Amigos de Jesus


Os que servem na igreja servem a Jesus e devem estar atentos para que Ele receba toda a glória. O serviço que recebemos para fazer vem junto com a capacitação para realizá-lo: “20  Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós. 21  Mas o que nos confirma convosco em Cristo, e o que nos ungiu, é Deus,” (2 Coríntios 1:20-21). Então, se a capacidade é dEle, a glória também deve ser dada a Ele: “porque tudo isto é por amor de vós, para que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de Deus.” (2 Coríntios 4:15). Para nós permanece a alegria de um trabalho abençoado por Deus e que o agradou. A alegria de um filho que ama e é amado é agradar o Pai.

Quando passamos a ver o nosso interesse pessoal naquilo que fazemos no Senhor ou recebemos do Senhor como mais importante do que agradar o Senhor, quando colocamos a obra na frente do Dono da obra, estamos a um passo da destruição. Esse é o ponto por onde Judas foi atirado da árvore com um nó no pescoço. O nó da cobiça prendeu-se ao seu pescoço, quando Ele quis o que era de Jesus para si. E quando Ele finalmente voltou-se contra o senhorio de Cristo, considerando-o e à sua obra como uma coisa qualquer, desprezando-a e sentindo-se superior a ela, ele saltou para a destruição eterna.

Vigie para que isso não aconteça. Conheça e reconheça a Cristo como Senhor e não apenas como um ícone histórico, uma fonte de bênçãos, um iluminado, ou seja lá o que for. O Jesus que transformou seus discípulos é aquela fonte de Vida, o Salvador, o Messias, o Filho nascido de Deus, que veio nos dar uma nova vida, livres do pecado que nos destrói. Tudo o que vier por causa dEle na nossa vida é menor do que essa verdade e mera conseqüência dela. As bênçãos não são pequenas, mas o Abençoador é infinitamente maior. E sem uma amizade com Deus, através de Jesus, que é a verdade, não conterá o ingrediente que a torna verdadeira, a fidelidade a Deus.

Você quer conhecer Jesus como Pedro e os apóstolos o reconheceram? Quer ser amigo de Jesus? Então, ore assim:

Querido Deus eu quero que Tu reveles Jesus a mim como o Rei salvador, o Messias, o nascido de Deus que tira o pecado do mundo. Transforma a minha vida e me mostra como vivê-la de forma a ter a tua presença e guarda o meu coração para que eu não perca o foco de Ti e daquilo que te agrada e não do me é interessante para mim, Senhor. Eu te peço isso em nome de Jesus.




Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente a mensagem ou faça sua pergunta.

Web Analytics